O que o Egito Antigo pode ensinar sobre branding, marketing e construção de marcas atemporais
- Lucas Chiquetto
- há 12 minutos
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Há poucos dias, vivi uma das experiências mais transformadoras da minha vida: uma imersão no berço de uma das civilizações mais antigas e fascinantes da humanidade: o Egito. Foi uma viagem desafiadora, intensa, repleta de contrastes e aprendizados, e também uma profunda aula de branding, cultura, comunicação e legado.
Entrar em uma pirâmide em Gizé, caminhar por templos e tumba monumentais, voar de balão ao pôr do sol sobre o Vale dos Reis, observar hieróglifos milenares, tudo ali fez com que eu enxergasse com outros olhos aquilo que também perseguimos no mundo corporativo: construir algo que resista ao tempo. Os antigos egípcios, meus caros, foram talvez os maiores marqueteiros que já existiram. Pense bem: quando uma civilização ergue estátuas de mais de 20 metros de altura, amplia templos com colunas colossais e grava em pedra suas histórias, crenças e símbolos, ela está criando uma marca. Uma marca cheia de simbologia, que ecoa por milênios, que permanece viva no imaginário coletivo mesmo depois de séculos de silêncio.
Estar diante das estátuas de Ramsés II, em Abu Simbel, foi como presenciar um manifesto visual de identidade. Não se tratava apenas de um monumento para um faraó ou de um ato de vaidade: era a construção de presença, reputação e memória. Uma forma de comunicar poder, crença e pertencimento. E ao visitar a tumba de Tutankhamon, onde ainda repousa o corpo do jovem faraó, percebi como a imagem de alguém pode ser cuidadosamente construída, e preservada. A coleção de mais de 5 mil peças encontradas em sua tumba, agora abrigadas no Grande Museu do Egito, que foi recém-inaugurado, não é só um acervo arqueológico: é um case completo de branding, curadoria de identidade, storytelling visual e legado emocional.
Os egípcios entendiam como poucos a importância da imagem. Sabiam que, para atravessar os séculos, a mensagem precisava ser simbólica, visualmente impactante, cuidadosamente repetida, e cheia de significado. Cada hieróglifo era um canal de comunicação. Cada escultura, uma narrativa. Cada templo, uma estratégia de conexão com a eternidade. Nada ali era por acaso. Tudo tinha intenção, coerência, propósito. Assim como deve ser toda marca que deseja ser relevante e inesquecível.
No nosso dia a dia, enquanto profissionais de branding e comunicação, muitas vezes nos concentramos demais no curto prazo: nas métricas, nos algoritmos, nos lançamentos. Mas o Egito me lembrou do valor de pensar em legado. De construir algo que seja maior do que um post. De cuidar de cada ponto de contato como se fosse uma mensagem talhada em pedra. De investir na simbologia da nossa marca com a mesma reverência com que eles esculpiam suas crenças.
Viajar é um presente que damos a nós mesmos. É uma forma poderosa de expandir o repertório criativo, conhecer outras lógicas de mundo, valorizar a pluralidade e, paradoxalmente, também reencontrar a nossa própria identidade. É vivendo o contraste que entendemos melhor o que nos define. É quando mergulhamos em culturas tão distintas que percebemos a riqueza - e a responsabilidade - que temos ao comunicar quem somos, no mundo e no mercado.
Minha jornada pelo Egito foi uma viagem para dentro da história e para dentro de mim mesmo. Mas, acima de tudo, foi um lembrete: marcas, assim como civilizações, precisam ser construídas com um propósito claro, consistência e coragem. Como se fossem atravessar milênios. Porque, no fim das contas, toda grande marca quer o mesmo que os antigos egípcios queriam: ser lembrada, comentada e fazer história.

















































